Já troquei tudo de lugar, os móveis do meu quarto, as cores das paredes, os meus hábitos diários, até as coisas que nunca me importei em mudar, só pelo gosto da mudança e pela obrigação de tentar dar movimento à minha vida, pra depois não dizerem que nada faço e que não posso reclamar por ela assim ser.
O fato é que minha vida mudou e continua mudando diariamente. Não sei se pra pior ou melhor, o problema é que eu não consigo mais absorver as cores dos momentos e transformá-las em algum sentimento de satisfação, encaixe, algo que me leve a uma conclusão.
Às vezes, de tanto tentar mudar, eu acabo por esquecer o meu próprio eu, o que pra mim, de certa forma, não é tão ruim. Pois quando penso nesse Rodrigo, por trás de tudo que eu faço, não consigo enxergar nada. Já não mais reclamo por isso, mudei esse hábito também.
A realidade é que querendo ou não, isso, às vezes, sufoca. Mas, tudo bem! Vou tentando mudar na esperança de finalmente colher alguma sensação de conforto, ou simplesmente na intenção de ignorar essa falta de ar. Porém nem sempre eu consigo fazê-lo.
Sinto-me em derrota comigo mesmo mais uma vez por estar escrevendo tudo que já estou cansado de ‘sentir’, tudo que já escrevi com outras palavras e o torno a fazer. Sentir não seria a palavra correta, pois que sente, sente alguma coisa, e mesmo que soe clichê, eu não sinto nada. E quando me ‘sinto’ assim, fico tentando achar as causas pra esse meu estado, culpando pessoas que em minha vida já não mais fazem parte, enfim, tentando achar algum culpado que não seja eu. E eu sempre encontro, me ponho de vítima em ‘crimes’ do passado, tudo por essa sensação de “a culpa não é minha”, “a culpa é disso, daquilo”. A realidade é que o passado já está bem distante e eu fico brincando disso na intenção de encontrar forças, erguer a cabeça e continuar os meus planos de mudança. É esse o meu ciclo.
Acredito que nunca defini tão bem como tem sido a minha vida como fiz hoje.
Eu paro pra pensar e lembro-me de todas as coisas que já vivi, de todas as cores que já absorvi, de toda a minha capacidade de compartilhar reciprocamente sentimentos sinceros que fazem bem, de tudo ruim que já superei, das feridas que se tornaram cicatrizes indolores. Eu sigo em frente com a intenção de ter tudo isso de novo, de recuperar esse pedaço de mim, de preencher os espaços em branco como um dia fui capaz.
Só sei que hoje estou cansado de tentar mudar e não chegar a lugar nenhum. O relógio não coopera, o calendário parece não contar os dias, a imagem refletida por minhas palavras é sempre a mesma. É difícil, mas vou seguindo assim, numa esteira, quem sabe um dia tudo muda, né.

