Um foi que ficou.

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R: Eu só preciso ficar sozinho.

A: O que há? Tem tanto tempo que terminamos, e desde então, você vive sozinho, se isolando de tudo. Já não basta?

R: Mas quando digo que preciso de solidão, peço uma enorme distância de você dos meus pensamentos. Entende?

A: ...


Por que tantos por quês?

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Eu não queria mais pensar em você. Não sabes o quanto me culpo por perder meu tempo fazendo isso. E culpo-me mais ainda quando sei que nos teus pensamentos eu ando muito mais que distante. Por que isso? Se quem foi embora aqui foi você e não eu? Se eu permaneci no mesmo lugar, por que eu me sinto tão perdido? Por que eu me esqueço de quem sempre me esquece, mas de você eu não consigo?

Eu odeio espaços em branco como esse aqui, sabe por quê? Porque minhas palavras parecem que sabem apenas te desenhar, de forma feia ou bonita, é sempre você que elas rabiscam. Ah, por que eu faço isso? As feridas que você deixou em mim formigam tanto que as palavras tornaram-se unhas para coçá-las quando elas me incomodam. Mas eu evito, e como evito! Tento não deixá-las fazerem este trabalho. E quando consigo a dor por dentro é tão grande (quando não consigo a dor por fora grande também é). Mas, internamente, eu a suporto, pois não é todo o dia que tenho vontade de te ver nos espaços em branco da vida.

Cadê aquele ditado de que tudo passa, até a maldita da uva passa? Por que essa merda não funciona comigo? O tempo passou, mas só foi o tempo mesmo. As palavras continuam as mesmas, as sensações também, e por mais que eu lave a fronha do travesseiro, teu cheiro nele continua o mesmo. Os pensamentos também não mudaram. Porém, às vezes, eu empilho um montão de coisas na minha cabeça só para não deixar nenhum espaço sobrando pra você. E quando não consigo isso, eu me culpo tanto. Mas por que eu sinto tanta culpa? Se quem tem culpa aqui é você? Por que tudo é tão injusto assim comigo, porra. Por que, hein?

Por que você ri de mim? Por que nesse espaço em branco eu te desenhei rindo e não chorando? Por que somos tão opostos? Por que eu continuo gostando de você? Quando vou poder dizer que o ditado da maldita uva realmente funciona?

Sem a palavra. Sem título.

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Guardo em mim uma mina de palavras. As que têm mais valor estão presas bem lá no fundo, e essas que escrevo são as que encontro no subsolo da minha alma. Eu realmente queria entender porque eu, sozinho, não consigo cavar tão fundo? E por que perto de você, o fundo raso se torna. Me explica?

É como se tudo tivesse se modificado a partir do momento que te conheci, e pra melhor. Talvez pra preencher aquele espaço vazio que me definhava e que por mais que tentasse preenchê-lo, nunca conseguia de uma maneira que me confortasse. O fato é que eu nunca tive alguém de verdade em sentidos anatômicos e internos de espírito. Mas talvez esse fato tenha mudado desde que você apareceu pra mim, jogando todos os meus sonhos no lixo e colocando no lugar momentos de realidade totalmente inesperada.

De certo modo, é engraçado. Tudo que eu imaginava antes de te conhecer vai em encontro contrário ao que você é e ao que me proporcionas. Talvez pelo fato das palavras, na teoria, terem sido todas embaralhadas na prática. E, sinceramente, me agrada mais este ‘livro vivo’ do que aquele cheio de sonhos clichês o qual já vinha por arrancar páginas.

Não saber do que tal ‘livro’ realmente trata, quantidade de páginas... toda essa imprevisibilidade é de inevitável encanto. Eu nunca sei ao certo o que você pensa ao término de um beijo nosso, quando fixadamente prega seus olhos nos meus e faz o mundo todo ficar em silêncio; nunca sei qual vai ser a merda do dia que você vai falar para tirar-me um sorriso da boca; em que cálculo você vai errar, me fazendo raciocinar mais do que posso para localizar o erro, deixando-me atento a tudo que você fala a cada exercício resolvido; se hoje sua insônia vai atacar ao ponto de você me ligar no meio da madrugada e conversar comigo mil assuntos...

Ontem deitamos no tapete da sala e brisamos falando coisas. E numa dessas brisas, aprendi contigo uma teoria. A teoria da eternidade. Que o ‘pra sempre’ é um mero ‘faz-de-conta’ sentimentalmente irracional que, lançado por impulso, contribui para que um determinado momento se torne especial ou para quem ouviu tais palavras de alguma forma, sinta-se seguro. Logo, disse-me que nunca me prometeria o eterno, porque uns cem anos de vida diante dele é apenas um começo e seus vinte e poucos anos não lhe permitiam cometer tal audácia. Que não cometeria tal erro, pois soa como pecado um mortal prometer isso, quando mais tardar tal infinito se reduzirá a ‘pó’ junto a um corpo numa cova. Questionou: “Você acreditou mesmo quando alguém disse que ia te amar pra sempre? As palavras são traiçoeiras, os impulsos também por mais doces e sinceros eles demonstrem ser. Natural do ser humano é errar. Mas o que podemos fazer? Eu, pelo menos, procuro errar menos, sei medir o que falo, e tento, na prática, ir muito além das palavras que compõem as promessas padrões. O meu eterno é o agora, aqui, contigo, pois eu não sei o dia de amanhã.” Entrelaçou seus braços em meu corpo e mostrou-me seu pulso. Eu vi o relógio, os segundos passavam tão calmos, talvez pelo valor enorme que eles representavam por estarmos tão juntos naquele momento.

Enfim, eu só queria ter a chance de encontrar uma palavra nesse meu garimpo, que significasse e nela estivesse contido todo esse sentimento de mim é oferecido a ti. E mesmo não a encontrando, sei que essas aqui juntas já significam alguma coisa. De qualquer forma, desculpe-me por esses cascalhos. Você sabe, o tesouro mesmo, cheio das pedras preciosas, só consigo encontrar (e te dar) quando estou perto de você.

Um problema matemático

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O que leva alguém a resolver um exercício de matemática muito mais que complexo? Por aí tem tantos mais fáceis, medianos, difíceis e com alguma resolução. Por que eu ser a tua escolha? Eu nem sei se tenho alguma resolução e um resultado exato. Já desisti de mim faz tanto tempo, que tenho pena de quem de mim nunca desiste ou quem pelo menos já tentou nunca desistir. Pelo que vê, não vivo de propaganda enganosa e valorizo o tempo alheio.

Gosto de pessoas que sabem engolir amargo como se fosse doce. Sendo assim, posso dizer que gosto um tanto de você. Gosto e gosto um bocado, que palavras duras de alguma forma ficam moles agora. Nas vezes em que dizes me amar, o meu interno amargo doce se torna e fogem forças à autodefesa engolir qualquer silêncio, fazendo-me dizer-te o mesmo, com palavras acompanhadas de uma sinceridade tremenda. Nada comparado aos “te amo’s” da vida, ditos nas vezes em que retribui a forma de expressar um simples “gostar” aos meus antigos amores. De quando mentia pra mim mesmo, a existência daquele amor à primeira vista, e que as pessoas poderiam me amar, assim, da noite pro dia, só por conhecer minhas qualidades. Mas com você foi diferente, é diferente ouvir: “Eu gosto de você. Gosto tanto de ficar contigo”.

As poucas qualidades que tenho hoje devo-as a ti. Por tê-las reencontrado, e por ainda conseguir reencontrá-las no amargo de pessoa que me tornei. Por elas, apesar de serem poucas, serem mais do que suficientes para sua felicidade, segundo você.

Perdoe-me pela introdução desse texto. É que só agora me veio o teu sorriso no pensamento, tão leviano, dizer-me para eu enxergar apenas as coisas boas, o lado bom. Que o ruim poderia ficar contigo, que você conseguiria administrá-lo da melhor maneira que lhe conviesse, como um exercício matemático que lhe renderia resultados felizes. Entre um cálculo e outro, tal exercício demonstra-se não ser tão complexo como parece ser, ou como eu o faço transparecer. Até porque, ele sou eu.

São segunda-feira, 25 de outubro de 2010. Vejo daqui, o céu com mistura de turvo. O sol parece estar distante, o vento frio sopra adentro a janela, delineando uma paz desconhecida em meu corpo. É saudade de um dia, que muito mais parece, uma semana distante de você.

Every you, every me

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eu '-'

Incrível como temos, só nós dois, uma recíproca verdadeiríssima. O que tu sentes ai, eu sinto aqui. Quando eu tô mal, incrivelmente você também está e quando eu melhoro e posso dizer 'eu estou bem e você?' você também diz a mesma coisa, me fazendo sentir cada vez mais forte. Todos os dias lembro de você, sempre lembro e procuro não me desfazer nunca das lembranças mais lindas que eu guardo aqui, e você e eu, claro, somos os únicos personagens dessa lembrança. São milhares de coisas em você que tendem a sempre me confortar, fazer rir, ou até mesmo chorar. Eu guardo comigo teus sorrisos, tuas palavras e teu amor, tudo está aqui, nada diminuiu nem sumiu, eu cuidei/cuido direitinho deles. Existe um laço extenso, que nos envolve, nos deixa dentro dele onde só há amor, carinho e a mais sincera fraternidade. Onde a felicidade está contida até num mínimo lugar. Me trouxeste uma vasta sabedoria sobre o que realmente é ter um amigo, um amor, um sentimento real.

É como se tudo tivesse mudado a partir do momento em que eu te conheci, tudo tivesse se modificado pra melhor, pra preencher talvez um vazio que eu tinha, pra preencher o lugar na minha cabeça onde eu não sabia o verdadeiro valor de uma amizade. Sei que devo ser a pessoa mais sortuda e mais feliz do mundo por ter alguém como você, Rô. Eu te valorizo muito, e sempre irei valorizar. As feridas hoje causadas pela meu sumiço desapareceram, porque eu descobri que nunca houveram feridas e sim apenas mágoas, uma mágoa por te deixar, outra por não poder te encontrar... E então, agora eu vejo que não há porque estarmos tão tristes, estamos juntos, ainda juntos e por um longo tempo estaremos juntos. Sabe, eu me encontro bem hoje, porque sei que você está bem, eu sorrio hoje e não tenho mais medos porque eu tenho você, aqui dentro comigo, sempre. E pra onde eu vou eu te levo, e pra onde eu olho eu te espero e quando eu te vejo eu acordo.

Sabe, eu tenho quase todas as noites um momento meu. Eu vou pro meu quarto, desligo a luz, fecho a porta e coloco um som altíssimo sabe? Dai escuto todas aquelas músicas, aquelas nossas músicas, só nossas que parecem ter sido compostas só pra nós dois. E tento encaixar qualquer verso, qualquer refrão em algo relacionado a você e quando não consigo, passo para a próxima música. Mas existem versos e mais versos que eu queria cantar pra você e os que eu escutava falando de adeus eu não os escuto mais, porque sei que jamais serei capaz de te abandonar. E sempre olho pro horizonte, penso em você, tentando talvez te encontrar, no nosso mundo, naquilo que criamos, coisa só de nós dois e me pergunto, O que será que está fazendo agora? Será que está sentindo o mesmo? (...) Como um adulto que realizou o que tanto sonhava desde criança, como um jovem que passou no vestibular. Como um adolescente que sorriu e ao mesmo tempo se emocionou assistindo a um filme romântico ou foi ao show de rock que sempre quis ir ou até mesmo colocou um piercing, como uma criancinha no playground, como um bebê no colo da mãe... é o que eu sinto. E que sentimento é esse? Desconhecido né? Então por enquanto que as palavras não conseguem exprimir a magnitude do que eu sinto, só me resta te dizer mais uma vez. O que se faz tornar isso bem clichê, mas não aquela coisa falsa e repetitiva e sim apenas clichê e real. Eu te amo muito, certo? Com a mesma intensidade, saiba disso, tá? E vamos criar uma palavra que signifique mais que um "simples" amor? Porque eu quero falá-la sempre pra ti ao invés de escrever milhares de eu te amo.

Tu és o meu melhor amigo, também é o meu porto seguro, a pessoa que eu mais confio.

Lu.

Sem título

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foto de rooh_x3 em 04/10/10

Perdi a vontade para lamentar meus desvios de caminho, erros cometidos (meus e dos outros), meu ex-modo de expressão – ocasionado por sentimentos não-recíprocos que no final só me deixaram mal. Ao contrário do que muitos fariam se tivessem uma chance de voltar ao passado – consertar erros, ignorar pessoas, seguir outros caminhos... –, eu não faço a mínima questão de voltar lá e consertar nada. Talvez pelo fato de eu ter me acostumado com o modo que coisas ficaram... Do avesso.

Hoje, quando olho-me no espelho, consigo gostar de mim, dessa pessoa que me tornei, mesmo após ter dado como perdidos, os pedaços que mais me identificaram. Pedaços que de mim levaram, que pouco a pouco, me roubaram. E quando eu preciso me encontrar, me perco dentro de mim e encontro aquela paz que transforma minhas aflições em bem-estar, dando-me a certeza de que está tudo bem e que eu não preciso me preocupar com nada.

Posso dizer que me sinto menos sozinho quando estou só. Não que eu não goste das pessoas, mas sim por que não há mais fantasia que me deixe criar a concepção de dependência para com elas: carência de conversas ou companhia, necessidade de criar vínculos ou compromissos.

Meus sentimentos permanentes foram trocados pelos descartáveis. Mínimas porções que, após serem descartadas, não farão a mim, nenhuma falta. Não estou querendo dar uma de pessoa forte, insensível. Apesar dos meus sentidos não funcionarem mais como antigamente, ainda há uma pequena parte que sente e logo dessente, quando eu erro e após conserto, pois amor próprio a mim nunca deve ficar em segundo plano. Pros outros, infelizmente, já não há mais espaço. Faz parte do meu automático, por isso não me culpe quando fazes o mesmo ou quando erras por o não fazer.

Seja uma pessoa de hoje se não fores ou espere algum tempo e deixe que elas te moldem como me moldaram. Por isso, se eu tivesse uma chance de voltar ao passado eu a descartaria. Há certas coisas que é melhor não desaprender, quando no mais tardar dos dias terás que aprendê-las.

A culpa não é sua, nem muito menos minha. A culpa é mesmo de quem? Acho que vida estamos vivendo apenas uma mesmo. Creio então que a culpa seja dela.

Me diz que você vem?

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Me diz que você vem?
Me levar desse mundo pra bem longe
Estando perto ou distante
Mas, me diz que você vem?

Faz um coração no céu
Algum sinal
Espanta essas nuvens negras
Me livra de todo esse mal

O que eu faço por aqui?
Tudo é tão igual, tão diferente de mim
O que eu fiz de tão errado
Pra merecer uma vida assim?

Quilometros percorridos
Pés estão desprotegidos, pés estão descalços
Joguei fora o que os machucava,
Ficaram pra trás, meus sapatos desgastados.

Floquinhos de sorvete sem sabor
Encobrem essa rua vazia
Se você viesse, seria minha fogueira
Nessa noite que está tão fria.

Me diz que você vem?
Que eu te espero sentado nesse banco.
Eu transformo todas minhas futuras lágrimas
Em sorrisos em retribuição ao teu encanto.

Mas não demora
Eu não irei embora
É que essa solidão que me congela
Pode parar meu coração.


-
Antigo e bobinho. Ando tão oco ultimamente que não me atrevo a escrever nada. E se o fizesse agora, não sairia algo legal, então, pouco me agradaria. Ponho a escrever o que sinto. Mas esta aí o problema, tempão que não venho sentido absolutamente nada, nada mesmo. Porém, insensibilidade não é sinônimo de mal estar, muito pelo contrário (pelo menos comigo). Eu gosto de estar no zero. Gosto de desfrutar desse equilíbrio. Gosto de pressentir o que vem a frente: o um, o dois, o três... Enquanto os negativos... ficaram perdidos nas entrelinhas de ontem, ante-ontem, mês passado, ano passado... bem distantes da de hoje, de agora...

Mantendo distância e livrando-me de sonhos

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Parti pra nunca mais voltar. Retirei do teu penhor o meu sorriso, dando-te em troca todos os sonhos que me fizestes sonhar. Realize-os com outro alguém. Antes disso, saia do teatro e mostre ser quem você verdadeiramente é. Nada. Inferior a isto, agora, é o que você é pra mim.

Meu sorriso já não era o mesmo, depois que o resgatei. Mesmo assim, me dirigi ao sul. Peguei condução à caminho do nada. Sentei numa poltrona distante das que estavam ocupadas, retribuindo olhares com aquele sorriso que não combinava nada com meus olhos tão cansados. Aos poucos, aquela expressão de que estava ‘tudo bem’ despedia-se com o bater suave de minhas pálpebras, empurrando-me para frente, num convite para eu adormecer. Mas não! Eu não podia. No escuro do meu pensamento, eu podia te encontrar. E, mais uma vez, logo despertei para manter-me distante de você. Eu sabia que tantos quilômetros percorridos não valiam de nada, mas sentia que em qualquer distância eu encontrava forças pra poder te esquecer.

Fiz uso da minha mania de analisar pessoas, imaginar vidas por trás de olhos e assim, tentar compor uma vida nova pra mim. Antes isso, até era legal, mas naquele momento havia deixado de ser. Em aparências alheias eu conseguia ver-te. E a música, que tocava de fundo, fazia com que você se aproximasse. Oh, tormento! Coloquei meus fones de ouvido, parei com aquela mania besta e com aquele mesmo sorriso, fingia curtir uma música eletrônica.

Um moço velho adentrou na condução, observando todo o ambiente, enquanto o ônibus saía do lugar, percorrendo vários e vários metros. Sorrindo, lá estava eu, quando aqueles olhos passaram a me analisar. Contei seus passos até ele parar. Sentou-se numa poltrona que estava vazia, bem do meu lado. O vento então, disse:

- Oi, filho.

- Oi? – Disse eu, enquanto tirava os fones do ouvido.

- Teu rosto está tão vazio.

- O que queres dizer com isso, senhor?

- Esse seu sorriso não tem valor algum, notava-o antes mesmo de embarcar. Porque não trocas ele comigo por um par de olhos cheios d'água? Ele tem o mesmo valor. - O velho disse.

- Realmente esse sorriso já perdeu a validade. Mas, por que queres trocar, se ele é tão insignificante? E quem disse que eu quero? – Dizia eu, sorrindo vagamente.

- Vejo que ao usá-lo, ele o fere e lágrimas acumulam-se demasiadamente dentro de você. Aproveite o turvo dessa condução e troque comigo pelo o que eu te ofereci.

Encarei o velho que segurou minha mão, esgotando-me as forças para manter minha cabeça erguida. Vieram lágrimas e mais lágrimas. Na composição delas, tinha um pouco de você. E esse pouco muito era, quando tentava livrar-me de ti logo de uma vez. Naquele momento, saía do banheiro, uma moça gorda com aparência suada. Ela havia notado que o velho ainda não havia dormido e lançou-lhe um sorriso sem graça. O velho então retribuiu, usando aquele sorriso que comigo trocou. Logo, disse baixinho:

- Aquela moça devia estar com dor de barriga, hein, filho.

- Haha, tadinha dela, moço. – Disse eu, enquanto sorria, negando com a cabeça.

- Agora sim, seu rosto vazio já não mais está.

Meus olhos secaram-se diante da tamanha gratidão refletida em meus dentes, o que tornava meu sorriso maior. Então, aquele senhor eu abracei e depois disse:

- Nem sei como agradecer. Sinto-me distante de verdade, livre!

- Não precisa agradecer, filho. Agora vá lavar seu rosto, sim?

- Ok. Estou precisando mesmo. Já volto!

Quando voltei, a poltrona se encontrava vazia e ele não estava mais lá.


Foi aí, que eu despertei e agradeci a Deus por ter mantido você longe dos meus sonhos aquela noite.

Carta de quem ficou e que agora vai embora.

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Congele-se esta noite e fique do meu lado mesmo que morra de frio, mesmo que tal ação não se iguale a um terço dos sacrifícios feitos da minha parte por você. Apenas o faça, este é o meu último pedido. Creio que uma noite só não lhe arrancará a vida, pois desde o dia que fostes embora até o presente momento, pareço viver uma eternidade, decompondo-me aos poucos, lançando gás carbônico para fora e inalando lembranças que me sufocam e que não me matam logo de uma vez.
Recordo-me dos seus olhos e da forma mágica que eles abraçaram os meus na primeira vez que te encontrei. Duas esferas que pareciam guardar a imensidão de um sentimento jamais sentido que estava por nascer naquele momento. Teu olhar era o único espelho que refletia a pessoa que eu era de verdade. Como era bom me encontrar em ti, sentir meu coração palpitando forte quando de longe te avistava. Como era bom sentir o sangue correndo em minhas veias ao ver-te quando se aproximava... Como era bom! Mas agora minhas artérias entupidas por coágulos lentamente o deixa circular.
O relógio pareceu ter parado. Você já não estava mais presente em lugar algum. Naquele momento, meu olhar encontrava-se pior do que estava antes de conhecer-te. Ele já refletia o começo do meu óbito, o imenso vazio cavado pelo brilho dos teus olhos depois de tantas competições de luminosidade com os meus, que brilhavam pela enorme felicidade ocasionada por te ter. Talvez, tais batalhas oculares tenham me deixado cego ou quase cego, só sei que enxergava apenas você. Tal complexidade só complicou, deixando-te tão mais distante de onde você se encontrava. Aliás, eu nem tinha idéia de onde poderia te encontrar. Eu só enxergava apenas uma paisagem limpa, sem nenhuma sombra diante aquele sol. Em minhas narinas, tua essência se despedia com a ajuda do vento. Depois disso, dei-me como perdido e nunca mais te vi pra dizer que me encontrei.
Bateria fraca. Os ponteiros que marcam as horas estão arrastando-se tão devagar, e nessa mesma sincronia meu coração também se encontra, se esgota. Creio que já está na hora de dissolver-me junto com a névoa que corre lá fora já que essa pequena força aplicada por essa caneta sobre este papel também deseja partir...
Estou retratando minha cegueira nas linhas dessa carta. Cegueira que uma hora dessas já deve ter levado consigo o meu sangue, esvaziado meu intestino - me deixado aos ossos – e destruído todo o brilho da felicidade refletida em seus olhos que um dia encantaram os meus. Olhos que agora tentam me ver embaixo desse mármore.

Adeus.

Um coração só seu.

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Essas palavras carregam vestígios de sonhos que restaram em minha imaginação.
Estive por todo o meu viver a criar castelos enormes - daqueles de contos de fadas -, perdido em um mundo apenas meu. Tijolo por tijolo, montando um reino encantado.
Recordo de como era o céu: azul, irradiado de nuvens brancas, pintado e desenhado por sentimentos ingênuos. Hoje, esse mundo não existe mais. O vento forte, a chuva, terríveis tempestades acionadas humanamente atormentavam-no e aquele castelo veio a desmoronar.
Lamentável. Uma alma foi soterrada diversas vezes. Mas, eu ainda te vejo como se fosse a primeira vez que peguei a pá e comecei a criar o meu refúgio e assim encontrar-te ao avistar aquele mundo lá do alto, sentando naquela janela, no balanço de pés ao vento.
Nenhuma tempestade até hoje foi capaz de destruir-te, porque você se tornou o meu sonho inquebrável ou alguém real desconhecido guardado intactamente em minha cabeça. E no abraço de cílios na calada da noite, olhos fechados saciam-se do meu sono. Tu estás lá no meu escuro. Eu te encontro, eu te ‘vejo’, continua inteiro, sem uma face específica, sem uma definição.
Menti a mim mesmo quando disse ver, que via você num corpo de carne qualquer, habitando nesse mundo medíocre, em busca de um castelo que nunca fiz. Enganando-me ao pensar, que havia conhecido você diversas vezes, em corpos diferentes, rostos diferentes e corações que diziam saber amar.
Ventanias, furacões, tragédias internas. Demolição de castelo. Não era você. Talvez, apenas uma miragem sua refletida em olhos estranhos. Minha carência mais uma vez havia criado uma realidade falsa. Tolo fui quando acreditei nas próprias mentiras que eu mesmo inventei e invento.
A realidade é que você continua lá, no turvo da minha alma. Talvez esperando que o alarme toque. O alarme da minha morte. Pode ser idiota, mas eu preciso de ti; quando o que é meu se torna alheio; quando o meu coração depois de preenchido, esvazia-se; quando alguma decepção vem à tona; quando uma tempestade não literalmente, me derruba.
Como partir grãos? O que restou de um coração já não se quebra mais. Vestígios ficaram em meu peito, mas não sou capaz desses te oferecer. E com um coração inteiro te escrevo essas palavras. Um coração de verdade, de sua propriedade. Um coração só seu.

O seu troco na mesma moeda

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foto de rooh_x3 em 29/01/10

Eu espero que um dia sinta-se como eu me senti. Eu espero que de ti saiam as mais belas palavras provindas de um sentimento verdadeiro, e ao mesmo tempo, desejo que um dia elas te queimem internamente por estarem perdidas em um passado que demorará passar. Espero também, que esses belos amontoados de frases suas, passem despercebidos e soem a ti como insignificantes a sua fonte de inspiração. E que caia do penhasco e lembre-se de como eu caí, quando empurrou-me. Que agonize e perca a voz, sentido-se imaleável e corroído por dentro, suplicando por socorro por todos os cantos do pensamento. Logo, não se esqueças como eu consegui mover um, dois, três dedos. De como eu abri os olhos e da forma mais difícil, encontrei na minha absoluta fraqueza, força suficiente para conseguir levantar. Que entenda o porquê de eu não ter te perdoado e esqueça que pedir perdão não é como pedir desculpa quando pisamos no pé de alguma pessoa no meio de uma multidão. Eu já havia aprendido o ABC das virtudes antes de conhecer-te. Agora, já sei-o de có e vejo que boa parte das suas virtudes não passava de imitações baratas. Desejo-te o mal, sim. Porém, saibas que por trás dele existe o bem, tudo isso que eu aprendi e continuo a aprender. Tudo isso que eu quero que você também aprenda.

"Your body will burn tonight... Though your heart may still remain cold"

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foto de rooh_x3 em 22/07/10

Eu sempre estive aqui, no mesmo lugar, em busca do teu calor. Sem tanta magia, sem obstáculos. O que um dia era o contrário, hoje chega ser tão fácil. Quando quero, tão levemente minha alma vem a bronzear-se, o meu desejo dilatar e todo esse seu prazer devorar-me. Embora, tão quente, queimando-me por dentro, meu coração permanece como em todas as vezes, tão gelado, se solidificando a cada dia que passa. És mesmo tu?

Não sinto mais aquele frio na espinha quando profiro aquelas duas palavras em teu ouvido em noites como essa que o sol levou. Talvez eu tenha me tornado um hipócrita nos últimos tempos, em busca da realidade, em busca dos seus pretéritos perfeitos. Não há mais satisfação, nem batimentos cardíacos. Então, desistir? Não. Mas até as circunstâncias desistem de mim. Tudo desiste. Menos eu. Tentar? Eu tento, e como tento. Eu tento descongelar esse meu coração para que assim eu possa encher-te de palavras verdadeiras, enlaçar uma sincronia junto ao seu que pulsa sem parar quando se aproxima do meu peito.

Sinto-me em desvantagem por não saber qual a verdade. Então, eu paro de jogar os dados e vejo que a questão é apenas essa: Não há mais nenhuma verdade em você. E por alguns minutos vejo que tentei desmentir isso.

Atravessou a alma.

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Suas palavras pareciam facas, das mais pontiagudas e amoladas. Ditas com tanta facilidade, lançadas com tamanha velocidade em minha alma. Como simples palavras puderam me dilacerar tanto? Quanto de dor vai ser preciso para levar-me em óbito? Eu senti tanta. Eu ainda sinto. Ela coagula por todas as partes da minha alma, fazendo-me encolher corpo. Ela continua beliscando, ferindo, arranhando. Não viu que não havia mais espaço para novas cicatrizes? Agora, minha alma parece uma ferida só. Aliás, ainda posso chamar isso de alma?

Dureza para as lágrimas, esse era o meu automático. E agora? Acertou-me os olhos com suas facas também? Porque as lágrimas escorrem tão facilmente, chegando a latejar meus olhos. Soluços acompanham essas esferas que de tão coradas já não sabem o que derramar. Eu disse que eu era capaz de não sentir mais dor, que estava imune a ela - porque eu me sentia protegido perto de você. Mas você me apunhalou pelas costas, rasgou cicatrizes e atravessou a alma.

Doeu, e ainda dói. Meus joelhos se batem. Minha cabeça lateja. Minhas mãos não sabem se enxugam os olhos ou se continuam transformando essa dor em palavras, porque ela, aqui dentro, ainda lateja tanto.

O paraíso que de ti a mim foi dado cobriu-se em chamas. Já está às cinzas. Porém, por dentro, eu continuo queimando. Eu caio, eu caio, eu caio. Eu perco o equilíbrio. É. Fugir dele, pra mim, está sendo tão difícil.

Peça de roupa.

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Se eu fosse uma peça de roupa sua, eu não queria ser 'a preferida', porque sempre renovamos o guarda-roupa com roupas novas e deixamos de lado as roupas antigas. Me dói só de pensar que teria frio logo após o seu descarte, depois de ter sentido tanto calor corporal seu durante o dia. Me assombra imaginar o escuro do seu roupeiro, sendo que passavas o dia inteiro no varal, para que no fim do dia, você pudesse de alguma forma, me abraçar. Impugante pressentir o cheiro de naftalina apagando a lembrança da essência do seu perfume nas linhas desgastadas desse algodão. E alguns meses depois você pisaria em mim, porque meu destino é ser pano de chão.

Eu sei que estou perdendo meu tempo levantando hipóteses desmerecedoras sem um sujeito, me pondo de objetoseja ele indireto ou direto. Eu só queria escrever um bom texto, já que hoje minhas as palavras não seguem em trilhas que nem fazem as formigas. Nos meus dedos tento transparecer um formigueiro para que elas tomem o seu caminho. Mas, o formigueiro hoje, se encontra em minha imaginação.

Aquela música.

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Eu tenho escutado aquela música todos os dias desde que você se foi. Posso encará-la como uma companhia agradável, um perfume gostoso, uma escova de dente, sei lá. Racional depois de tudo que aconteceu seria ouvir outras músicas, focar meus pensamentos no que vem à frente, simplesmente, te esquecer como deixei claro fazer. Não que eu não tente fazer isso, pois meus dias se resumem em apenas mudar. Mas é estranho. Pintei meu quarto (que antes era verde) de branco, ando quilômetros diariamente, falo com mil e umas pessoas... Mas quando retorno pra meu canto de paz, que só parece estar branco, eu vejo que ainda continua verde, vejo a sombra dos móveis nos seus devidos lugares como eram antes de eu trocá-los de lugar. Sinto meus pés tão cansados e uma vontade enorme de conversar aquelas conversas que você fica recordando tempos depois. Ué, depois de toda uma maratona social, não era pra eu me sentir satisfeito? Era pra ser, só que, sinceramente, continuo sentindo que não saí de lugar algum. E pra preencher esse vazio, eu escuto a música... Me recordo de ti, não exatamente de você hoje, mas de quem você foi e que não é mais. Meu orgulho hoje não me impede de escrever pra alguém que me fez tanto mal... mas que tanto bem me fez também. Alguém que não vai ler, e se ler, vai ser lido apenas por olhos fincados num corpo. Porque a alma mesmo deve estar perdida por aí...

Eu, você e o adeus.

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Acordei lúcido. Em meio ao nada, venho despedir-me de quem já foi embora. Perdoe-me a demora, é que desde sua partida, vim perdendo todos os sentidos ou até mesmo posso ter me perdido inteiramente, não sei. Penso que você me levou consigo e deixou-me apenas em posse de vestígios do que hoje posso dizer que sou. Acho que fiquei pobre de mim e rico em lembranças suas. De ti a mim, esse talvez deva ter sido o seu troco. E das mesmas lembranças, eu vendo suas cores para o tempo. A cada dia que passa, elas vão ficando cada vez mais opacas e amareladas, combinando com meu mundo.

Sinto a boca amargando. Deve de ser dos teus beijos doces que há muito tempo perderam a validade. As memórias se enfraquecem, entretanto, o meu vazio é suficiente a mim para saber que é a ti que escrevo, mesmo que com míseras palavras. Até as mesmas roubastes de mim, levando-as consigo.

Hoje, tu deves de dormir deveras bem, porque desde que você se foi passei a sofrer de insônia. Logo, posso dizer, que contigo junto foram os meus sonhos, vazios, talvez preenchidos com teus amantes.

Já não consigo te ver, então, eu pergunto por você, perguntando por mim. Todavia, eu te ouço, mesmo não estando aqui, meus ouvidos dizem a mim que há muito tempo tu me disse adeus. Então, que esse vento – que sopra forte delineando o que restou da minha alma - ecoe o meu adeus para bem longe.


Adeus.

Prazer, meu nome é Robô.

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foto de rooh_x3 em 09/05/10

Prazer, meu nome é Robô. Vivo nesse ferro velho chamado Terra. Eu oro todos os dias para que o fim chegue logo ou pelo menos que os poucos mecanismos que me restam travem por um tempo. Meu motor está cansado. Meu coração enferrujou-se, não trabalha mais como antes. Não cabe-me mais nenhum mísero kbyte de memória. E tudo que aqui dentro está, quero excluir, deletar.

Passei a minha vida inteira clicando em 'felicidades'. Mil e um sonhos zipados contaminados por vírus. Lindas histórias rodadas no Media Player, terminadas sem um final feliz. Eu lamento por mim, pela minha alma, - se é que tenho uma - ela lateja. Ela chora e suas lágrimas destroem-me por dentro, fodem com o meu sistema, ficando cada vez mais difícil lacrimejar externamente.

Morrer para um descanso é uma proposta tentadora. Morrer da mesma forma que minha imagem em várias cabeças já faleceu, é justo. Essa minha morte vivida diariamente que não é.

Desconheço o comando 'sentir'. Meus fusíveis queimam conforme cada dia passa, sabe? Posso dizer que sou digno desse ferro velho. Tenho como função principal acordar. Só não sei se estarei aqui amanhã pra dizer o mesmo que venho repetindo todos os dias comigo mesmo.


Isso.

Fim.

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Enquanto você estava de braços abertos para o mundo, os meus estavam abertos só para você. Quando o mundo te rejeitava, eu sempre estava lá pra te aceitar. Quando o mundo te fazia despejar lágrimas dos olhos, eu as fazia secar com meu amor. Quando o mundo se tornava um pesadelo, eu estava lá para transformá-lo em um sonho, um sonho real.

Hoje, tão longe da estrada, tão longe de tudo, estou seguindo uma trilha qualquer. Aqui estou, a escrever no meu pensamento minhas boas ações. Não estou procurando por você. Só não quero estar lá quando seu mundo chegar ao fim e você não ter pra onde ir.


"Em busca do meu mundo,
De pés descalços e braços vazios,
A caminhar estou.
Surdo a tua voz. Se você gritar, se doer...
Serei apenas um nome,
uma foto achada em meio a tuas coisas,
alguém que já não sou,
Não sou mais pra você."

Sem a névoa de dúvidas

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foto de rooh_x3 em 27/12/09

Sou aquela casa abandonada a qual ninguém entra, que por trás dela existe um jardim florido que nem todos os olhos conseguem ver. Sou aquela última música daquele programa de rádio na madrugada, aquela que passa despercebida enquanto todos dormem, mas que acompanha os poucos corações com insônia que ainda estão acordados. Sou todas as palavras decodificadas pela minha alma e sentimento transcritas em algum lugar. Sou o silêncio em meio a uma multidão de um show, que grita alto mesmo sem som, que faz meus ouvidos desperceberem aquela poluição sonora e ir pra longe. Sou a felicidade estampada na alma não precisamente nos dentes. Sou a tristeza tatuada num passado um pouco distante. Sou um espaço vazio diante de pessoas pequenas. Sou a melhor companhia quando estou em frente à um espelho. Sou a vitória disfarçada pela derrota. Não sou um sonho, nem pesadelo, nem contos de fadas. Sou apenas a única verdade da qual tenho certeza.

Amizade Sincera

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A minha sinceridade estava exposta em um prato sujo e frio. A minha vontade já não era a mesma, os meus olhos observavam agora de uma outra forma que não encantava mais o meu coração. Ouvi tua voz, ecoando sobre a mesa de um pesadelo, aquilo era um sonho, a vida para os mortos. Estendi minha mão ao universo irreal e senti tocando uma pele macia, algo caloroso e aconchegante. Acordei de um sonho talvez, mas você estava ao meu lado sorrindo, dizendo que faria dos meus olhos brilharem a cada instante, do meu universo algo encantador, quente, envolvido sob o amor de um amigo. Uma amizade Sincera.

Créditos à Cindy.