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Eu me sinto assim... pairando no ar, como se nada tivesse mais sentido e eu estivesse afundando num mar sem significado algum. Simplesmente não há mais o que ver, absolutamente nada, mesmo eu enxergando todas as coisas. Eu poderia chamar isso de vazio, mas eu não acredito que exista algo ou alguém nesse mundo que possa mergulhar tão fundo nesse abismo que sou e consiga mudar o que está lá dentro e fazer com o que eu transpareça uma realidade ou qualquer coisa diferente por fora. Se lá está vazio ou falta algo, eu não sei. Eu queria realmente saber. Lidar com o específico me parece ser tão mais fácil. Mas eu não tenho sequer idéia do que pode estar ausente, ou se algo realmente está faltando. Minha sensibilidade está terrivelmente debilitada para tantas coisas. Mas por outro lado, ela funciona, e eu sinto muito. Ao mesmo tempo em que digo não sentir nada, sinto que eu tenho tudo, sinto todos os meus pedaços empilhados nos seus devidos lugares aqui dentro de mim. Simplesmente sinto que eu existo. Hoje, tanto faz fingir ou não fingir que me sinto assim ou assado. Ninguém vê o que você fez com mil e um pedaços de si. Ninguém sabe o que leva a te manter em pé todos os dias, quando só existe vácuo, quando só existe ar. Seria estranho eu gostar de me sentir assim? Parece quanto mais eu me conheço, mais eu me encontro, mais eu me sinto assim. Como se eu fosse minha âncora, como se eu fosse minha segurança, como se eu fosse o ombro amigo que sempre quis e nunca tive, como se eu fosse a fuga quando as coisas dão errado... E eu não consigo e muito menos quero me perder disso. Então, eu fico pairando pelo ar, com os pés no chão, abrindo um sorriso, derramando uma lágrima... Mas nunca longe de mim. Nunca longe de onde eu sempre me encontro.