"Your body will burn tonight... Though your heart may still remain cold"

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foto de rooh_x3 em 22/07/10

Eu sempre estive aqui, no mesmo lugar, em busca do teu calor. Sem tanta magia, sem obstáculos. O que um dia era o contrário, hoje chega ser tão fácil. Quando quero, tão levemente minha alma vem a bronzear-se, o meu desejo dilatar e todo esse seu prazer devorar-me. Embora, tão quente, queimando-me por dentro, meu coração permanece como em todas as vezes, tão gelado, se solidificando a cada dia que passa. És mesmo tu?

Não sinto mais aquele frio na espinha quando profiro aquelas duas palavras em teu ouvido em noites como essa que o sol levou. Talvez eu tenha me tornado um hipócrita nos últimos tempos, em busca da realidade, em busca dos seus pretéritos perfeitos. Não há mais satisfação, nem batimentos cardíacos. Então, desistir? Não. Mas até as circunstâncias desistem de mim. Tudo desiste. Menos eu. Tentar? Eu tento, e como tento. Eu tento descongelar esse meu coração para que assim eu possa encher-te de palavras verdadeiras, enlaçar uma sincronia junto ao seu que pulsa sem parar quando se aproxima do meu peito.

Sinto-me em desvantagem por não saber qual a verdade. Então, eu paro de jogar os dados e vejo que a questão é apenas essa: Não há mais nenhuma verdade em você. E por alguns minutos vejo que tentei desmentir isso.

Atravessou a alma.

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Suas palavras pareciam facas, das mais pontiagudas e amoladas. Ditas com tanta facilidade, lançadas com tamanha velocidade em minha alma. Como simples palavras puderam me dilacerar tanto? Quanto de dor vai ser preciso para levar-me em óbito? Eu senti tanta. Eu ainda sinto. Ela coagula por todas as partes da minha alma, fazendo-me encolher corpo. Ela continua beliscando, ferindo, arranhando. Não viu que não havia mais espaço para novas cicatrizes? Agora, minha alma parece uma ferida só. Aliás, ainda posso chamar isso de alma?

Dureza para as lágrimas, esse era o meu automático. E agora? Acertou-me os olhos com suas facas também? Porque as lágrimas escorrem tão facilmente, chegando a latejar meus olhos. Soluços acompanham essas esferas que de tão coradas já não sabem o que derramar. Eu disse que eu era capaz de não sentir mais dor, que estava imune a ela - porque eu me sentia protegido perto de você. Mas você me apunhalou pelas costas, rasgou cicatrizes e atravessou a alma.

Doeu, e ainda dói. Meus joelhos se batem. Minha cabeça lateja. Minhas mãos não sabem se enxugam os olhos ou se continuam transformando essa dor em palavras, porque ela, aqui dentro, ainda lateja tanto.

O paraíso que de ti a mim foi dado cobriu-se em chamas. Já está às cinzas. Porém, por dentro, eu continuo queimando. Eu caio, eu caio, eu caio. Eu perco o equilíbrio. É. Fugir dele, pra mim, está sendo tão difícil.

Peça de roupa.

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Se eu fosse uma peça de roupa sua, eu não queria ser 'a preferida', porque sempre renovamos o guarda-roupa com roupas novas e deixamos de lado as roupas antigas. Me dói só de pensar que teria frio logo após o seu descarte, depois de ter sentido tanto calor corporal seu durante o dia. Me assombra imaginar o escuro do seu roupeiro, sendo que passavas o dia inteiro no varal, para que no fim do dia, você pudesse de alguma forma, me abraçar. Impugante pressentir o cheiro de naftalina apagando a lembrança da essência do seu perfume nas linhas desgastadas desse algodão. E alguns meses depois você pisaria em mim, porque meu destino é ser pano de chão.

Eu sei que estou perdendo meu tempo levantando hipóteses desmerecedoras sem um sujeito, me pondo de objetoseja ele indireto ou direto. Eu só queria escrever um bom texto, já que hoje minhas as palavras não seguem em trilhas que nem fazem as formigas. Nos meus dedos tento transparecer um formigueiro para que elas tomem o seu caminho. Mas, o formigueiro hoje, se encontra em minha imaginação.

Aquela música.

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Eu tenho escutado aquela música todos os dias desde que você se foi. Posso encará-la como uma companhia agradável, um perfume gostoso, uma escova de dente, sei lá. Racional depois de tudo que aconteceu seria ouvir outras músicas, focar meus pensamentos no que vem à frente, simplesmente, te esquecer como deixei claro fazer. Não que eu não tente fazer isso, pois meus dias se resumem em apenas mudar. Mas é estranho. Pintei meu quarto (que antes era verde) de branco, ando quilômetros diariamente, falo com mil e umas pessoas... Mas quando retorno pra meu canto de paz, que só parece estar branco, eu vejo que ainda continua verde, vejo a sombra dos móveis nos seus devidos lugares como eram antes de eu trocá-los de lugar. Sinto meus pés tão cansados e uma vontade enorme de conversar aquelas conversas que você fica recordando tempos depois. Ué, depois de toda uma maratona social, não era pra eu me sentir satisfeito? Era pra ser, só que, sinceramente, continuo sentindo que não saí de lugar algum. E pra preencher esse vazio, eu escuto a música... Me recordo de ti, não exatamente de você hoje, mas de quem você foi e que não é mais. Meu orgulho hoje não me impede de escrever pra alguém que me fez tanto mal... mas que tanto bem me fez também. Alguém que não vai ler, e se ler, vai ser lido apenas por olhos fincados num corpo. Porque a alma mesmo deve estar perdida por aí...

Eu, você e o adeus.

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Acordei lúcido. Em meio ao nada, venho despedir-me de quem já foi embora. Perdoe-me a demora, é que desde sua partida, vim perdendo todos os sentidos ou até mesmo posso ter me perdido inteiramente, não sei. Penso que você me levou consigo e deixou-me apenas em posse de vestígios do que hoje posso dizer que sou. Acho que fiquei pobre de mim e rico em lembranças suas. De ti a mim, esse talvez deva ter sido o seu troco. E das mesmas lembranças, eu vendo suas cores para o tempo. A cada dia que passa, elas vão ficando cada vez mais opacas e amareladas, combinando com meu mundo.

Sinto a boca amargando. Deve de ser dos teus beijos doces que há muito tempo perderam a validade. As memórias se enfraquecem, entretanto, o meu vazio é suficiente a mim para saber que é a ti que escrevo, mesmo que com míseras palavras. Até as mesmas roubastes de mim, levando-as consigo.

Hoje, tu deves de dormir deveras bem, porque desde que você se foi passei a sofrer de insônia. Logo, posso dizer, que contigo junto foram os meus sonhos, vazios, talvez preenchidos com teus amantes.

Já não consigo te ver, então, eu pergunto por você, perguntando por mim. Todavia, eu te ouço, mesmo não estando aqui, meus ouvidos dizem a mim que há muito tempo tu me disse adeus. Então, que esse vento – que sopra forte delineando o que restou da minha alma - ecoe o meu adeus para bem longe.


Adeus.