Dias...

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As vezes eu só queria uma surpresa inesperada, alguém que dissesse sentir minha falta do nada, ou que me desse uma boa notícia. É detestável acordar sem ter nada em mente que te faça levantar de verdade. É assolador olhar pra tantos rostos todo dia e não extrair deles nada que em algum lugar te preencha. Acordar as vezes é como andar numa esteira com o visor quebrado. Você não sai do lugar, o tempo parece não passar e de sobra só cansaço.
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O que me assusta é não ter medo. É viver sem me importar tanto. É me esvaziar do que não me convém quando necessário, quando no final das contas o alheio se define descartável. O que me assusta às vezes é não conseguir sentir mais nada que alcance a alma, é ficar pelas beiradas e depois sair dali, como se tivesse perdido meu tempo testando chaves que nunca vão abrir uma porta. Aliás, o que me assusta é esse meu conformismo que me acomoda a ser assim, estável demais, não havendo nada que possa desfazer esse meu equilíbrio. O que me assusta é evoluir, a cada dia que passa, essa minha visão de mundo, essa maneira de enxergar as coisas, ter a impressão de que tudo está monocor, quando na verdade eu vejo todas as cores. O que me assusta é distinguir as palavras de hoje com as ontem, e sentir que mesmo tão sinceras, já não carregam alguma magia ou encaixe que coincida com qualquer tipo de sentimento. Não há desanimo, depressão, nem me falta vontade de viver. A questão é que não há simplesmente nada, e eu não consigo me importar pra isso. Eu olho, eu vou embora... e tanto faz, voltar ou não.