
Eu me sinto bem, sabe? Eu espero que você também se sinta, caso não esteja. Sim, você aí que tá lendo isso. Às vezes eu fico mal, não só por mim, mas por quem numa situação boa não está, por quem está passando por coisas que eu já passei ou por momentos bem piores. Não estou especificando um tipo de problema, embora eu tenha lidado ultimamente apenas com problemas do coração, sentimentos...
Quando passamos a gostar de alguém de uma forma que jamais sentimos na vida, meio que intensificamos demais as coisas, nossa vida toma um rumo totalmente diferente, duas pessoas passam a ser uma só, o “pra sempre” parece tão fácil que nada vai conseguir afetar essa relação de afeto. Mas eu não sei se é só comigo que as coisas tomam caminhos desconhecidos (diferentes daqueles que no princípio que pareciam tão seguros). E quando tudo que era concreto desmorona, é tão difícil.
Daí as pessoas costumam chegar a mim e falar mil coisas confortáveis, dar conselhos. Tentam me direcionar a um caminho “certo”. Mas essas pessoas não entendem, não sentem o quão profundas são nossas feridas. Não sentem como realmente foi. Simplesmente não sabem que o nosso ‘difícil’ é pouco diante do quão grande que é. Quando se pega no fundo, mas bem no fundo, tudo se torna embaçado, turvo, sem expectativa de nada. É difícil encarar as coisas como se nada estivesse acontecido.
Não sei, talvez pelo fato de eu não levar as coisas, dessa maneira instantânea, eu sofra mais. Gosto de encarar tudo de frente, em câmera lenta. Pois se é pra dilacerar, que dilacere tudo de uma vez. Dor e reticências são duas coisas que pra mim não combinam. Gosto da realidade, embora, muitas vezes, amarga. Gosto de torná-la doce ao meu paladar. Gosto de aprender a chegar esse ponto, sabe? Diferente daqueles que levam as decepções na arte da ignorância, da vingança, do ódio... Fazendo as feridas ficarem ainda mais distantes de uma perspectiva de cura.
Eu aprendi que tudo passa até o que parecia ser interminável. Aprendi que minha vida é feita de eternos diferentes, cada um com seu conjunto de momentos. E momento não é pra sempre. Tipo esse momento em que escrevo essa frase, já passou. Isso é fácil. Agora, as lembranças... só o tempo há de moldá-las dentro do coração para que não o machuque mais. E me ponho a escrever isso por isso, por que elas, hoje, não me fazem mal.
Aprendi a não esquecer o que supostamente era pra ser esquecido. Mas por que não esquecer? Porque no fundo, no fundo, um dia você lembra. E eu gosto de levar comigo. É algo do tipo: já sofri e me curei, não pego mais. O engraçado é que sempre tem uma doença nova que te espera, embora você acredite que já passou por todas.
Mas essa sensação que tenho hoje é tão boa. Eu que antes pensava que era só zero vírgula cinco, hoje, me sinto um, inteiro. E o bom disso tudo é que permaneço no mesmo lugar. Não tive que mudar nada em mim. Não tive que ignorar absolutamente nada. Permaneço no mesmo caminho que sempre segui. As tempestades é que passaram, logo agora que aprendi a gostar de banhar na chuva. Mas isso não importa! :)
Segunda feira, 24 de janeiro de 2011. 22:54

0 comentários:
Postar um comentário