As pessoas de hoje em dia não merecem nenhum tipo de sentimento que venha tão de fundo. A primeira pessoa do singular, pra elas, também é a segunda, a terceira, a quarta, enfim. Todos estão preocupados com suas vidinhas e em observar como o mundo gira em torno delas. O próximo tornou-se apenas um detalhe, que se descarta quando dele não pode mais tirar nenhum proveito. Isso é tão lamentável.
Antes eu encarava as pessoas como complemento de mim, mas hoje eu não consigo mais me doar para a superficialidade dessas relações. Nesses últimos anos eu vi que estava mais me perdendo do que me ganhando. Parei com isso! Decidi olhar pra mim, rebocar os buracos dos lugares que ficaram na alma com pedaços realmente MEUS. E acredite, foi aí que encontrei uma estabilidade incrível pra mim, um equilíbrio que me fez e faz tão bem. É claro que essa estabilidade tem lá seus pontos fracos. O principal deles é que não consigo mais dar a devida importância ao que acontece a minha volta. Não interajo como deveria. Me sinto sempre em falta com as pessoas, seja numa conversa ou simplesmente estando apenas em presença.
Vivo intercalando entre dois mundos, agora por exemplo, não me sinto em nenhum lugar palpável. Isso me afasta muito das pessoas, e é algo que se tornou tão natural pra mim, que eu soou muito falso quando tento demonstrar qualquer tipo de sentimento bom como uma pessoa 'normal'. Não que eu tenha me tornado o tipo de pessoa "contemporânea" que só pensa no seu próprio bem e que se foda o resto. Pelo contrário, sempre que vejo uma brecha de oportunidade pra dividir qualquer tipo de cumplicidade e afeto, eu me arrisco. Eu sempre dou a oportunidade de desmontar alguns pedaços meus para encaixar nas outras pessoas quando vejo que elas estão dispostas a fazerem o mesmo. Mas sabe, nunca tive sorte com isso.
Complemento meu é apenas meu mesmo, as pessoas provam que não há encaixe alheio que perdure e me mude sem ser no quesito de 'superar'. A pessoa que sou hoje é mais resultado de recomposição. E é isso que me faz valorizar essa estabilidade que encontrei pra mim e aumentar essa minha barreira com as pessoas.
Talvez seja mais fácil viver de sentimentos superficiais (sem tanto apego, perto de pessoas que têm algo a mais a te oferecer) do que viver assim (distante, nas tentativas frustrantes de querer se encontrar nos outros e acabar se perdendo).
Não sei a que ponto queria chegar falando tudo isso. Talvez que me entendam quando não conseguir reagir diante uma piada, risada ou conversa. Que compreendam o meu abraço que nunca é "abraçado por inteiro" e aquele sorriso sem graça por não saber sorrir sem desprender-se da alma é o único que tenho a oferecer.
Assinar:
Postar comentários (Atom)

0 comentários:
Postar um comentário