
Eu tenho escutado aquela música todos os dias desde que você se foi. Posso encará-la como uma companhia agradável, um perfume gostoso, uma escova de dente, sei lá. Racional depois de tudo que aconteceu seria ouvir outras músicas, focar meus pensamentos no que vem à frente, simplesmente, te esquecer como deixei claro fazer. Não que eu não tente fazer isso, pois meus dias se resumem em apenas mudar. Mas é estranho. Pintei meu quarto (que antes era verde) de branco, ando quilômetros diariamente, falo com mil e umas pessoas... Mas quando retorno pra meu canto de paz, que só parece estar branco, eu vejo que ainda continua verde, vejo a sombra dos móveis nos seus devidos lugares como eram antes de eu trocá-los de lugar. Sinto meus pés tão cansados e uma vontade enorme de conversar aquelas conversas que você fica recordando tempos depois. Ué, depois de toda uma maratona social, não era pra eu me sentir satisfeito? Era pra ser, só que, sinceramente, continuo sentindo que não saí de lugar algum. E pra preencher esse vazio, eu escuto a música... Me recordo de ti, não exatamente de você hoje, mas de quem você foi e que não é mais. Meu orgulho hoje não me impede de escrever pra alguém que me fez tanto mal... mas que tanto bem me fez também. Alguém que não vai ler, e se ler, vai ser lido apenas por olhos fincados num corpo. Porque a alma mesmo deve estar perdida por aí...

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